Boa Esperança do Norte – Para quem leu a crônica anterior, a sombra de um Papagaio ainda paira. Nosso amigo Passarinho caminhava pela Avenida Brasil, olhando para trás e escondendo um riso maroto. Uma pergunta o atormentava: por que uma autoridade municipal precisa tanto “puxar o saco” de outra? No fundo, sabemos o porquê.
A poda severa das árvores havia tirado Passarinho do sossego. Pior: levaram seu esconderijo! “Onde já se viu?”, resmungou nosso fofoqueiro, agora defensor da escala de trabalho 4 por 3. Afinal, nem todo mundo está preparado para filosofar. Sobretudo quando falta sombra para pensar.
No caminho, ainda ouviu o Professor Pardal – lembra-se dele? – entrevistar a si próprio e defender o indefensável. Vindo dos lados de Sorriso, gravou um vídeo em defesa do “desmatamento”. Com a convicção de um doutor em Biologia, disparou:
– É normal cortar galhos de árvores até o talo!
Baita jornalista! Quando deixa de informar e inventa de opinar, Professor Pardal acaba cagando nas calças. E parece não sentir o cheiro.
Possesso, Passarinho voltou à redação do Jornal da Boa Esperança sem bater à porta. Tirou a velha pauta debaixo do braço e deixou-a cair como uma folha seca de uma árvore mutilada.
Apanhou outra folha. Era uma notícia sobre os votos dos candidatos a deputado estadual apoiados por autoridades da Boa Esperança.
Nova pauta! As eleições de 2026 chegaram chegando, assim como Passarinho, que voltou voltando. Entre eleitos, derrotados e apoios políticos, sobrava assunto para fofoca.
Mas algo interrompeu seus pensamentos. Na redação do JBE, deparou-se com um desconhecido — ao menos para ele. Olhos azuis, cabelos grisalhos e volumosos, voz de locutor dos tempos áureos do rádio.
– Este cara tem perfil de TV! – teria pensado Passarinho.
É o que supõe este cronista, incapaz de ler pensamentos de aves, embora conheça homens que pensam menos do que elas.
Frente a frente estavam Passarinho e o melhor repórter da atualidade em Boa Esperança.
Seu nome? JB.
Quem é ele? Passarinho também não sabia.
Mas isso, meus caros, fica para uma próxima crônica.
Cronista da Boa Esperança

