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Crônica: ‘Um falso mistério na Boa Esperança’
Imagem: Reprodução

Crônica: ‘Um falso mistério na Boa Esperança’

29/09/2026

Boa Esperança do Norte – Como um Lázaro saído de sua tumba, um conhecido nosso retornou à cena.

Lembra-se do outrora “fofoqueiro mais famoso da cidade”? Sumido – ou “perdido numa quiçaça” mais próxima, como diz o sertanejo –, nosso amigo Passarinho voltou. E de um jeito inesperado.

Quem dera retornasse nos ombros de uma multidão eufórica e fanática, aos gritos:

– EH, PASSARINHO! EH, PASSARINHO!

Este retrato social não soaria verdadeiro. Assim, este cronista supõe que o amigo da fofoca ainda possui alguns algozes em Boa Esperança. O que explicaria seu temporário sumiço. Queria descansar, quem sabe.

Então, Passarinho caiu na real. Voltou.

Ou melhor: caiu da árvore.

De repente, começaram a cair copas de árvores na sede municipal. E numa delas estava Passarinho, vivendo sua vida mansa de “sumido de jornal”.

Para quem pensava que “poda severa” era figura de linguagem, talvez tenhamos um eufemismo: uma suavização para “devastação” ou “dano ambiental”. Quem passou pela praça – ou acompanhou o caso pelo Jornal da Boa Esperança – sabe do que falamos. A ação da gestão municipal provocou críticas também “severas”.

Se Passarinho não queria trabalhar, não sabemos. Dizem as más línguas que anda abatido com a campanha do Inter no Brasileirão. Outro dia, o Senhor Plumado até perdeu uma aposta para este cronista, torcedor do Peixe mais lindo do mundo. O Pix da aposta caiu barulhento na conta do cronista, que tratou de gastá-lo no Bar do Gaúcho mais próximo. O placar no Gigante da Beira-Rio é história. Voltemos.

Passarinho continua sendo a alma desta coluna. E descobriu que surgiu outra espécie plumada pela cidade.

Uma que fala.

Ou melhor: repete.

Na Avenida Brasil, Passarinho apareceu de “asas cruzadas”, observando. A poucos passos, estava um Papagaio no ombro de um sujeito de sangue quente.

O sujeito não falava em público. Aliás, trata-se de alguém que só fala com “jornais amigos”.

O Papagaio, porém, não parava:

– Mequetrefe! Mequetrefe!

Passarinho olhou para o Papagaio. Depois, para o sujeito. E ficou quieto.

Quem aquele Papagaio estava repetindo?

Esse parece ser um falso mistério na Boa Esperança.

Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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