Boa Esperança do Norte – Quem conhece o Cronista da Boa Esperança sabe que ele gosta de caminhar. É desses que saem por aí, conversando com as pessoas, sem grande pretensão. Afinal, todo cronista que se preze precisa ter um olhar do chão, horizontal e popular da realidade.
Mas, nesta semana, resolveu economizar a “sola da bota”.
Começou a Semana Farroupilha, celebrada de 13 a 20 de setembro. E não é preciso ser especialista para saber que, por esses dias, tem cavalgada e os CTGs da região fazem a sua parte.
Por isso, chamei meu amigo Tordilho, que surgiu um tempo atrás nesta coluna de jornal para rivalizar com o “carro de luxo” da presidência da Câmara Municipal.
O cavalo estava selado.
Ops! Bastou montar para o cronista se sentir um “gaúcho das coxilhas” – com a pronúncia castelhana dos Pampas –, cuia numa das mãos e térmica debaixo do braço.
Já se imagina parando o Tordilho a cada esquina, a começar pela Avenida Brasil. Com um pergaminho nas mãos, pigarreia, tosse e começa a leitura:
“Conta-se que certas tradições não conhecem fronteiras. Atravessam campos, rios e estradas e criam raízes onde encontram chão. Foi assim que muitos gaúchos chegaram ao Mato Grosso, trazendo mais que malas e ferramentas: trouxeram costumes, lembranças e histórias.
Por isso, quando setembro chega, mesmo longe dos pagos de origem, filhos e netos ainda celebram a Semana Farroupilha. A pilcha reaparece, o mate passa de mão em mão e alguma velha canção volta a ser ouvida. Há coisas que não ficam para trás quando alguém parte. Viajam junto.”
O discurso deste 13 de setembro estava feito. O cronista enrola o pergaminho. Montado no Tordilho em pleno solo mato-grossense, virou o Cavaleiro da Boa Esperança.
Quase colado ao seu ombro, vai um passarinho conhecido desta boa terra, satisfeito por também poder ser chamado, ao menos por uma semana, de “farrapo”.
E o Passarinho, que de bobo não tem uma pena, cochicha no ouvido do Tordilho:
– Para bom gaúcho, dizer-se um bom farrapo basta.
Cronista da Boa Esperança

