Boa Esperança do Norte – De repente, o cronista se notou distraído. Uma pauta resiste no tempo, aliás, já dura alguns dias, para não dizer semanas.
O cronista jura que não fez “caso” desta realidade, assim como parece fazer o proprietário das terras próximas à sede municipal onde tem sido usada a “cama de frango” como adubo. Ocorre que o cronista tem passado uns dias em Sorriso…
Mas, voltando.
Um amigo de Boa Esperança, que se diz correspondente e diz ter asas, sobrevoou a realidade local e me contou que o “nosso cenário de mundo” preferido não tem cheirado bem. E faz um bom tempo.
O cronista acredita.
Na juventude, trabalhou numa granja, tratando de galinhas e catando ovos. Quando o patrão pedia, ia também raspar o piso onde caía a merda das galinhas.
Conhece o cheiro.
Se a memória olfativa do cronista ainda não cheira bem, imagine o cheirinho que tem exalado pela atmosfera do município mais jovem do país.
A questão não nasceu ontem. O mau cheiro já incomodou moradores, chegou à Câmara e virou até projeto.
Talvez esteja mais para um problema debaixo do nariz.
Para muitos moradores, fica a sensação de que o interesse privado parece se sobrepor ao público.
Na última sessão da Câmara, chamou a atenção o silêncio de parte dos vereadores da situação. Um deles costuma repetir: “Temos que pensar grande…”.
Pensar grande é importante. Mas também é preciso enxergar o que está debaixo do próprio nariz. Algo difícil quando o odor da “cama de frango”, vindo das terras próximas, chega ao setor urbano e parece não ter fim.
Além do aroma de aviário, não cheira bem a “vista grossa” para problemas que envolvem amigos – sobretudo quando amigos são autoridades e autoridades são amigas de outras autoridades.
Este cronista imagina, então, uma nova espécie de moradores surgindo em Boa Esperança.
É a adaptação boa-esperancense ao ambiente.
Uma estratégia de autodefesa.
O cidadão sai de casa e segue a vida com o polegar e o indicador sem desgrudar das narinas.
E, de nariz tapado, diz com voz anasalada:
“Beu Deus! Ninguéb bais aguenta esse bau cheiro!”
Cronista da Boa Esperança

