Boa Esperança do Norte (MT), 23/03/2026, C
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A crônica dos sonhos – ou a ausência de um ‘líder’
Imagem: JBE/Reprodução

A crônica dos sonhos – ou a ausência de um ‘líder’

22/03/2026

Boa Esperança do Norte – Se alguém ainda não percebeu – ou simplesmente deixou passar – este cronista faz questão de esclarecer: quem vos escreve também é um profissional. E, como todo profissional que se preze, é preciso se envolver com o que se faz.

Dito isso, confesso: nos últimos dias estive ocupado – e, mais do que isso, preocupado. O motivo? Um só: a ausência de um líder. Como se, em Boa Esperança, já não faltassem temas urgentes para inquietar qualquer observador ou cidadão atento.

Um líder pediu afastamento. Souberam? A informação estampou a manchete do Jornal da Boa Esperança. Sem justificativa oficial, sem explicação por escrito. Diante do silêncio, resta presumir: a saúde do prefeito pode até estar bem – mas a gestão local, definitivamente, não.

E aqui não há espaço para rodeios: a administração municipal anda mal das pernas. Pernas que, aliás, mal conseguem atravessar as ruas esburacadas da cidade ou encarar as estradas abandonadas da zona rural.

Se você se considera bem informado, já conhece o cenário: pontes precárias, travessias comprometidas e promessas que não resistem à primeira chuva. Ainda convence a história de que o município é “novo” e vive uma fase de adaptação? Difícil acreditar.

As chuvas recentes escancararam o problema. Levaram estruturas inteiras – inclusive aquelas recém-inauguradas e anunciadas como exemplos de boa execução. Obras que, em poucos dias, sucumbiram à força da água e revelaram uma verdade incômoda: não eram tão bem feitas quanto diziam.

Na chamada crônica dos sonhos da Boa Esperança, o cenário é outro. Nela, o cronista – entre o real e o imaginário – vislumbra uma cidade onde um líder eleito cumpre seu papel: aparece, escuta, responde e age.

Mas não é o que vemos.

Com o afastamento do dito líder, assume o seu auxiliar imediato. E este herda o que o povo, com certa ironia e razão, costuma chamar de “bucha”. Ironia maior é que ele (o auxiliar imediato) também responde pela Secretaria de Obras – justamente a pasta responsável por estruturas que não resistem ao tempo… nem à chuva.

Como a ponte sobre o Rio Matrinxã, pros lados de Piratininga.

Na crônica – essa mesma, que mistura sonho e realidade – um líder passa a se destacar não pela presença, mas pela ausência. E isso diz muito.

Surge então uma pergunta inevitável, quase em tom investigativo:

Onde está este líder?
O que faz?
Por onde anda?

Enquanto isso, a cidade segue exposta – não só pela fragilidade da infraestrutura, mas pela falta de ação política.

E assim continuamos, entre o que se sonha e o que se vive, tentando entender: o que mais falta à Boa Esperança?

Será apenas estrutura?

Ou algo muito mais essencial?

Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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