Boa Esperança do Norte – O secretário municipal de Obras, Transportes, Serviços Urbanos e Saneamento de , Jair Obregão, compareceu à Câmara de Vereadores após convocação aprovada por unanimidade pelos parlamentares. Durante a sessão realizada nesta segunda-feira 11 de maio, o secretário reconheceu problemas na execução de pontes do município, admitiu falhas administrativas e confirmou que a obra da ponte sobre o rio Mantrinxã foi executada sem engenheiro responsável.
A sessão reuniu grande número de moradores interessados em acompanhar os esclarecimentos sobre as condições das estradas e pontes da zona rural.
A convocação havia sido aprovada no dia 6 de abril, após reclamações da população sobre os problemas no escoamento fluvial e nas estradas do município. Entre os principais pontos debatidos esteve a situação da linha São Roque, onde a ponte sobre o rio Mantrinxã foi levada pela chuva cerca de 30 dias após a execução da obra. Moradores da ponte do Mateus, conhecida como Jacarezinho, também relataram dificuldades de acesso.
Obregão admite problemas e atribui danos às chuvas
Da tribuna, Jair Obregão afirmou que compareceu à Câmara para prestar esclarecimentos após um ano e meio da gestão Calebe, da qual Obregão também como vice-prefeito faz parte. Segundo ele, a Secretaria de Obras enfrenta muitas demandas e dificuldades estruturais.
O secretário relembrou o período em que chegou a Boa Esperança do Norte, afirmou que o município enfrentou problemas históricos de infraestrutura e classificou o período de chuvas deste ano como uma “catástrofe”.
Obregão também afirmou que a prefeitura enfrenta dificuldades para conseguir cascalho para manutenção das estradas rurais, alegando que o município depende de autorização para acessar jazidas.
Em diversos momentos, o secretário pediu compreensão dos vereadores e atribuiu os danos nas estradas e pontes às fortes chuvas registradas nos últimos meses.

Secretário reconhece obra sem engenheiro responsável
Ao tratar da ponte do rio Mantrinxã, Obregão reconheceu que a estrutura apresentou problemas e admitiu que a obra foi realizada em período inadequado, durante fortes chuvas.
Segundo ele, a solução adotada na época tinha caráter emergencial. O secretário também reconheceu que parte da estrutura foi executada com madeira, apesar de a proposta inicial prever materiais mais resistentes.
“Se foi falha nossa, a gente está resolvendo”, declarou.
O momento mais tenso da sessão ocorreu quando os vereadores questionaram quem foi o engenheiro responsável pela obra da ponte levada pela chuva.
A vereadora Daniela Peters perguntou diretamente quem assinou tecnicamente a execução da obra. Em resposta, Obregão não apresentou nome de engenheiro responsável. Após nova pergunta, o secretário confirmou que a própria Secretaria de Obras executou a ponte, sem responsável técnico.
A admissão gerou novos questionamentos dos vereadores sobre a ausência de projeto técnico e responsabilidade profissional na execução da estrutura.
Vereadores cobram responsabilidade administrativa
A vereadora Daniela afirmou que o secretário “deve explicações à população” e questionou como a prefeitura permitiu a execução de uma ponte sem respaldo técnico adequado.
O vereador Izaqueu de Andrade perguntou se a prefeitura abriu procedimento administrativo para apurar responsabilidades pelo problema.
“Quem vai pagar por isso?”, questionou.
Izaqueu também destacou que obras dessa natureza exigem profissional habilitado para responder tecnicamente pela execução.
Em resposta, Obregão reconheceu que a obra foi feita sem preparo técnico adequado e voltou a atribuir parte do problema às condições climáticas.
“Somos falhos”, declarou o secretário.
O vereador ainda lembrou que já existia uma ponte antiga no local e que a estrutura anterior não havia sido destruída pelas chuvas. Segundo ele, a prefeitura optou por construir uma nova ponte, que acabou não resistindo.
Durante a sessão, Obregão admitiu que a solução mais adequada teria sido restaurar a estrutura já existente.
Vereadora questiona possível irregularidade na obra
A vereadora Professora Joana também questionou a ausência de responsável técnico na obra e perguntou se a execução teria ocorrido de forma irregular.
Obregão respondeu que desconhece engenheiro que assine ponte de madeira, declaração contestada pela parlamentar, que citou exigências legais para execução de obras públicas.
Os questionamentos aumentaram o tom crítico da sessão e ampliaram as cobranças sobre a condução administrativa da Secretaria de Obras.
Obregão anuncia saída da Secretaria de Obras
Durante a sessão, o vereador André Fenske, do PL, afirmou que os questionamentos feitos pelos vereadores eram pertinentes, mas disse acreditar que o episódio servirá de aprendizado para a administração municipal.
“Tudo que aconteceu serviu de aprendizado”, declarou.
André também pediu mais apoio do prefeito Calebe à Secretaria de Obras.
Na sequência, Obregão revelou que deve deixar o comando da pasta até o fim deste ano.
“Meu combinado [como secretário de Obras] com ele [o prefeito] é até o fim do ano. Fui eleito como vice-prefeito”, afirmou.
O prefeito Calebe não participou da sessão legislativa.
Secretário reconhece erros administrativos
Ao longo da sessão, Obregão atribuiu os problemas enfrentados pelo município aos efeitos climáticos e citou dificuldades enfrentadas por outras cidades da região.
O vereador Olenil Lino lembrou que dezenas de municípios decretaram situação de calamidade em razão das chuvas.
“Nós somos só os prejudicados”, afirmou Obregão ao comentar os impactos causados pelas enchentes e temporais.
Mesmo assim, o secretário reconheceu erros administrativos, admitiu falhas na execução da ponte do rio Mantrinxã e confirmou que a obra ocorreu sem engenheiro responsável e sem apresentação de projeto técnico durante os esclarecimentos prestados à Câmara.

