Boa Esperança do Norte (MT), 05/02/2026, C
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Crônica: ‘Avenida Brasil, microfone aberto e 35 milhões no orçamento’
Imagem: Reprodução

Crônica: ‘Avenida Brasil, microfone aberto e 35 milhões no orçamento’

05/02/2026

Boa Esperança do Norte – De repente, um velho conhecido volta a circular pela Avenida Brasil. Para quem mora em Boa Esperança, essa avenida é quase uma novela de um famoso mestre do folhetim moderno: longa, cheia de reviravoltas e personagens que se recusam a sair de cena.

Nosso amigo Passarinho, correspondente crônico desta coluna, está de volta. Retorna como quem se desprende de um corpo nativo — e, segundo os rumores, se afastou por tempo indeterminado. Ninguém sabe ao certo o motivo. O que importa é que voltamos oficialmente à segunda temporada das crônicas e mexericos de Boa Esperança.

Mesmo com certo estranhamento, o cronista sente que nunca deixou de pertencer ao local. Em uma cidade onde quase todo mundo chegou depois, não há pecado em chegar mais tarde. Aqui, isso nunca impediu ninguém de falar antes — ou fora de hora.

Nesta semana, quem reapareceu foi o Professor Pardal, personagem conhecido da nossa trama. De microfone em punho, cedido por uma rádio amiga, ele declarou com entusiasmo:
“Antes de qualquer coisa, torcemos pelo sucesso da cidade!”

Até aí, tudo bem. Mas o tom muda quando Pardal se apresenta como jornalista da imprensa citadina. Nesse momento, Passarinho não se contém:
“Para tudo! Para tudo! Jornaleiro ou jornalista?”

No meio dessa cena, alguém toca o ombro do cronista. Uma testemunha próxima cochicha:
“Primeiro, bem-vindo de volta. Sentimos sua falta. Você ficou sabendo da última do Galego?”

Curioso, o cronista ouve com atenção:
“Com apoio da base aliada na Câmara, o prefeito conseguiu aprovar um projeto…”.

Bastou ler a manchete para entender o enredo. Em sessão extraordinária de 20 minutos, foi aprovado um projeto que parecia liberar apenas R$ 30 mil para um CRAS. Porém, um trecho adicional permite ao prefeito controlar mais de R$ 35 milhões do orçamento — tudo isso sem necessidade de nova aprovação da Câmara.

Enquanto isso, o conhecido comedor de alpiste continua seu voo político, vestindo o figurino de jornalista, mas atuando como militante.

Estamos de volta. A crônica segue. A novela continua.

— Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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