Boa Esperança do Norte – Atenção! Atenção!
Drones foram vistos nos céus da nossa querida cidade.
Segundo as más-línguas, miras a laser – de cores não identificadas – teriam apontado para alguns alvos. Depois, sumiram. Num passe de mágica, viraram borrão em folha de desenho.
Os drones que sobrevoaram a imaginação popular logo deram lugar ao velho e conhecido telefone sem fio. Parte do povo não esperou o fato acontecer para formar opinião. Foi justamente aí que a fofoca ganhou asas.
– “Menina, ficou sabendo da última?”
– “Rapaz, o vizinho aqui recebeu uma visita!”
Vozes apressadas, certezas instantâneas, informações pela metade.
A esta altura, já havia sósias e reproduções do fofoqueiro mais famoso da cidade. Mas justiça seja feita: Passarinho não é bem um fofoqueiro. Dedica-se aos bastidores do município. E o cronista o convoca aqui apenas para trazer leveza a uma coluna que, às vezes, pesa mais do que deveria.
Foi quando o diretor de redação, em tom de desabafo, resumiu o cenário:
– “Tem muito boato na cidade. E muita gente falando o que não sabe.”
É por isso que a mídia profissional importa. Quando o boato cresce, o fato precisa se impor – principalmente quando seriedade e gravidade caminham juntas.
Súbito, a pauta virou.
A segunda sessão legislativa do ano entrou em cena e o carro midiático tomou nova direção.
Na sessão de 23 de fevereiro, três temas chamaram atenção:
1) A defesa das mulheres.
Os casos de violência seguem preocupando, segundo uma vereadora — inclusive em nosso município, como o Jornal da Boa Esperança tem noticiado. O debate é urgente e necessário.
2) A polêmica do sub-secretário.
Do alto de sua “patente administrativa”, a figura de um sub-secretário tem tentado desautorizar vereadores que atendem pedidos da população para gravar e denunciar buracos e outros problemas da cidade. Segundo relatos de mais de um vereador feitos durante a sessão.
Se continuar nesse ritmo, o “fanfarrão sub-secretário” ganhará crônica exclusiva – e talvez mais fama (ou má fama) do que imagina.
3) A criação da Biblioteca Pública Municipal.
O projeto que autoriza a criação é aprovado. Tema de enorme importância – e curiosamente pouco comentado nas ruas.
Boa Esperança carece de uma biblioteca. Biblioteca é símbolo de conhecimento, de futuro, de cidadania.
Embora fique a reflexão: para construir algo tão necessário, seria mesmo preciso autorização formal? Há urgências que dispensam cerimônia.
Enquanto isso, entre drones imaginários, boatos acelerados e debates reais, Boa Esperança segue seu roteiro – dividida entre a fofoca que grita e o fato que precisa ser ouvido.
E o Passarinho?
Ah… esse continua voando. Mas agora, com novo bloco de notas na asa.
Cronista da Boa Esperança

