Boa Esperança do Norte (MT), 28/10/2026, C
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Vereador André Fenske vota contra projeto de lei que previa mais transparência sobre o uso do dinheiro público em Boa Esperança do Norte

Cinco vereadores votaram contra projeto sobre transparência

28/10/2026

Câmara de Boa Esperança do Norte (MT) rejeitou proposta por 5 votos a 3. Parlamentares contrários alegaram burocracia; defensores cobraram informações acessíveis à população.

Boa Esperança do Norte – A Câmara Municipal de Boa Esperança do Norte rejeitou, por cinco votos contrários e três favoráveis, o Projeto de Lei nº 63/2026, de autoria do vereador Izaqueu Andrade. A proposta previa ampliar a transparência dos recursos municipais transferidos a entidades privadas sem fins lucrativos, com divulgação mensal de atividades, metas, resultados e informações financeiras simplificadas.

A rejeição levanta uma cobrança sobre a atuação parlamentar: por que vereadores responsáveis por fiscalizar o dinheiro público recusaram uma ferramenta que facilitaria esse acompanhamento pela população?

Durante a discussão, os vereadores Olenil e André argumentaram que as exigências aumentariam a burocracia e poderiam desestimular o trabalho voluntário nas associações. Na defesa do projeto, Izaqueu e Daniely destacaram que o objetivo era tornar as informações mais acessíveis, sem acusar entidades de irregularidades.

Quem votou contra e a favor do projeto

Votaram contra:

  • Pepe da Piratininga;
  • Sidiney da Piratininga;
  • Olenil Lino;
  • André Fenske;
  • Sedoso.

Votaram a favor:

  • Daniely Peters;
  • Joana;
  • Izaqueu Andrade.

O presidente da Câmara, Marcão, não votou.

O que o projeto de transparência previa

A proposta estabelecia a apresentação e a divulgação de um relatório mensal simplificado, até o dia 20 do mês seguinte, pelas entidades beneficiárias. A Prefeitura publicaria o documento no Portal da Transparência até o último dia desse mesmo mês.

O relatório reuniria informações como:

  • Atividades realizadas, períodos e locais de execução;
  • Metas previstas, resultados alcançados e justificativas para diferenças;
  • Número de pessoas atendidas, quando pertinente, sem exposição de dados pessoais;
  • Recursos recebidos, despesas pagas por categoria e saldo;
  • Dificuldades encontradas e medidas de correção.

O texto também previa acesso aos instrumentos das parcerias, planos de trabalho, aditivos e documentos de acompanhamento produzidos pelo Município.

O relatório não substituiria a prestação de contas formal nem criaria uma obrigação de prestação de contas financeira integral todos os meses. Essa distinção estava expressa na proposta.

Burocracia foi a principal justificativa apresentada

Olenil citou sua experiência em associações de pais e mestres e descreveu dificuldades enfrentadas por dirigentes voluntários. Utilizou o volume de documentos de uma prestação de contas como exemplo do trabalho que, em sua avaliação, poderia ser ampliado com a nova lei.

Vereador Olenil mostra documentos de prestação de contas de entidade durante sessão. Foto: JBE.

O vereador também sustentou que as regras existentes já seriam suficientes e que novas exigências poderiam afastar associações interessadas em receber recursos municipais.

André acompanhou a preocupação com a burocracia. Disse ter conversado com representantes da Liga e do transporte acadêmico, que, segundo ele, não haviam sido consultados sobre a proposta e consideravam que ela aumentaria as dificuldades administrativas.

Essas preocupações merecem ser avaliadas à luz das condições de funcionamento das entidades. Mas precisam ser confrontadas com as simplificações previstas no próprio projeto.

Texto permitia aproveitar documentos e usar páginas gratuitas

A proposta admitia o uso de documentos ou formulários já exigidos pelo Município, desde que contivessem as informações necessárias. Também permitia que entidades sem site utilizassem uma página pública gratuita, dispensando a contratação de domínio e hospedagem.

Outras medidas incluíam:

  • Prazo de 90 dias após a publicação para a lei entrar em vigor;
  • Regras de adaptação para instrumentos celebrados anteriormente;
  • Prazo para regularizar omissões de transparência ou apresentar justificativa;
  • Ausência de suspensão automática dos repasses por mera falta de publicação;
  • Proteção de dados pessoais dos beneficiários.

Diante dessas previsões, permanece uma pergunta: quais exigências seriam inviáveis mesmo com o aproveitamento de documentos existentes e o período de adaptação?

O volume de uma prestação de contas completa, por si só, não demonstra que a divulgação de um relatório simplificado produziria a mesma carga de trabalho.

Pedido por ofício oferece o mesmo acesso?

Durante o debate, André defendeu que vereadores com suspeitas encaminhassem um ofício à Prefeitura solicitando a documentação.

Vereador André Fenske e Sidney durante sessão. Foto: JBE

Esse caminho permite pedir informações específicas, mas não oferece a mesma experiência de acesso proporcionada pela publicação regular. Uma solicitação depende da iniciativa do interessado, da identificação do que deseja consultar e de uma resposta.

Com os relatórios disponíveis, moradores poderiam acompanhar as parcerias ao longo de sua execução, sem precisar formular um pedido a cada período.

A fiscalização também não precisa começar apenas quando existe suspeita. O acompanhamento contínuo pode ajudar a identificar dificuldades, verificar metas e reconhecer os serviços bem executados.

Izaqueu e Daniely defenderam acesso para toda a população

Izaqueu afirmou que a proposta buscava facilitar o acompanhamento dos recursos públicos. Ao responder às críticas, esclareceu que não estava denunciando entidades, mas defendendo prevenção e maior transparência.

Daniely também destacou que as informações deveriam estar acessíveis à comunidade, além dos vereadores. Sua manifestação concentrou-se na necessidade de permitir que a população acompanhe o dinheiro utilizado pelas instituições.

Vereadora Daniely Peters fala em sessão da Câmara de Boa Esperança do Norte
Vereadores Sedoso, Daniely e Marcão na sessão da Câmara de Boa Esperança. Foto: JBE

A distinção é central para entender a discussão: apresentar documentos à administração e disponibilizá-los de forma acessível à população são etapas diferentes.

Reconhecer a importância das entidades e cobrar publicidade sobre a aplicação dos recursos são posições compatíveis. A divulgação dos resultados também pode demonstrar o valor dos serviços prestados.

Mais de R$ 8,3 milhões mostram a dimensão do debate

Um levantamento realizado a partir dos registros do Portal da Transparência de Boa Esperança do Norte identificou R$ 8.324.570,56 pagos em 2026, até 26 de outubro, a 11 entidades com instrumentos identificados como abrangidos pela proposta.

O total inclui pagamentos de despesas do exercício e de restos a pagar de anos anteriores quitados em 2026. Não representa, portanto, apenas recursos previstos ou autorizados.

O montante não é indício de irregularidade. Ele demonstra a relevância de permitir que a população relacione os valores pagos às atividades realizadas e aos resultados apresentados.

Na sessão, Olenil afirmou que as prestações de contas poderiam ser consultadas no portal da Prefeitura. A questão é verificar se esse acesso permite localizar, com facilidade, os planos de trabalho, os relatórios de execução e os resultados de cada parceria.

Qual alternativa os vereadores contrários defendem?

O voto contrário não comprova intenção de esconder informações. Entretanto, a rejeição exige uma explicação consistente sobre como os parlamentares pretendem ampliar o acompanhamento público das parcerias.

Se as exigências eram consideradas excessivas, quais ajustes poderiam torná-las viáveis? Se os mecanismos existentes são suficientes, onde a população encontra as informações sobre atividades, metas e resultados?

Os vereadores que rejeitaram a proposta afirmam defender a transparência. Cabe demonstrar como essa defesa se traduz em acesso simples, regular e efetivo às informações sobre o dinheiro municipal.

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