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Crônica da Boa Esperança: ‘O cheiro da vista grossa’
Imagem: Ilustração/Reprodução

Crônica da Boa Esperança: ‘O cheiro da vista grossa’

01/09/2026

Boa Esperança do Norte – De repente, o cronista se notou distraído. Uma pauta resiste no tempo, aliás, já dura alguns dias, para não dizer semanas.

O cronista jura que não fez “caso” desta realidade, assim como parece fazer o proprietário das terras próximas à sede municipal onde tem sido usada a “cama de frango” como adubo. Ocorre que o cronista tem passado uns dias em Sorriso…

Mas, voltando.

Um amigo de Boa Esperança, que se diz correspondente e diz ter asas, sobrevoou a realidade local e me contou que o “nosso cenário de mundo” preferido não tem cheirado bem. E faz um bom tempo.

O cronista acredita.

Na juventude, trabalhou numa granja, tratando de galinhas e catando ovos. Quando o patrão pedia, ia também raspar o piso onde caía a merda das galinhas.

Conhece o cheiro.

Se a memória olfativa do cronista ainda não cheira bem, imagine o cheirinho que tem exalado pela atmosfera do município mais jovem do país.

A questão não nasceu ontem. O mau cheiro já incomodou moradores, chegou à Câmara e virou até projeto.

Talvez esteja mais para um problema debaixo do nariz.

Para muitos moradores, fica a sensação de que o interesse privado parece se sobrepor ao público.

Na última sessão da Câmara, chamou a atenção o silêncio de parte dos vereadores da situação. Um deles costuma repetir: “Temos que pensar grande…”.

Pensar grande é importante. Mas também é preciso enxergar o que está debaixo do próprio nariz. Algo difícil quando o odor da “cama de frango”, vindo das terras próximas, chega ao setor urbano e parece não ter fim.

Além do aroma de aviário, não cheira bem a “vista grossa” para problemas que envolvem amigos – sobretudo quando amigos são autoridades e autoridades são amigas de outras autoridades.

Este cronista imagina, então, uma nova espécie de moradores surgindo em Boa Esperança.

É a adaptação boa-esperancense ao ambiente.

Uma estratégia de autodefesa.

O cidadão sai de casa e segue a vida com o polegar e o indicador sem desgrudar das narinas.

E, de nariz tapado, diz com voz anasalada:

“Beu Deus! Ninguéb bais aguenta esse bau cheiro!”

Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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