Boa Esperança do Norte (MT), 31/08/2026,
Nova Mutum, BR
34°
Sunny
05:4917:39 -04
Feels like: 36°C
Wind: 11km/h N
Humidity: 36%
Pressure: 1006.43mbar
UV index: 0
TueWedThuFriSat
35°C / 22°C
34°C / 23°C
36°C / 24°C
35°C / 23°C
34°C / 22°C
C
Canal do Whatsapp do Jornal da Boa Esperança
Mau cheiro: projeto ainda aguarda sanção em Boa Esperança do Norte
Monte de esterco em Boa Esperança do Norte (Imagem: JBE)

Mau cheiro: projeto ainda aguarda sanção em Boa Esperança do Norte

31/08/2026

Boa Esperança do Norte – Moradores do município reclamam, há semanas, de um forte mau cheiro em diferentes pontos da cidade. Segundo os relatos, o odor estaria relacionado à aplicação de cama de frango, também conhecida como cama de aviário, em propriedades rurais próximas ao perímetro urbano.

Entre as áreas citadas nas reclamações está uma propriedade que, segundo moradores, teria ligação com a família do prefeito Calebe Francio. O Jornal da Boa Esperança procurou o prefeito para confirmar a informação e obter esclarecimentos, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Monte de esterco que exalava forte odor em Boa Esperança do Norte, registrado na segunda-feira 31 de agosto de 2026. (Imagem: JBE)

A reportagem também procurou o secretário municipal responsável pelo Meio Ambiente para saber se houve fiscalização nas propriedades citadas. Até as 16h desta segunda-feira 31 de agosto, o secretário não havia respondido aos questionamentos.

Vereadora volta a denunciar mau cheiro

No sábado 29 de agosto, a vereadora Professora Daniely Peters publicou um vídeo gravado durante a noite em Boa Esperança do Norte. Nas imagens, ela mostrou a grande quantidade de poeira no ar e voltou a reclamar do forte odor percebido na cidade.

Segundo a vereadora, o mau cheiro estaria relacionado ao esterco aplicado em uma propriedade rural próxima ao perímetro urbano.

O vídeo ultrapassou 20 mil visualizações e provocou manifestações de moradores nas redes sociais.

Uma moradora comentou sobre os transtornos provocados pelo odor:

“Realmente está insuportável.”

Outra pessoa relacionou a situação a problemas respiratórios percebidos em crianças:

“Não é à toa que as crianças estão com tosse que não cura e falta de ar. Por favor, autoridades façam alguma coisa para resolver essa situação.”

Até o fechamento desta reportagem (às 16 horas, no horário local), porém, o Jornal da Boa Esperança não teve acesso a laudo médico, ambiental ou sanitário que estabeleça relação entre os sintomas relatados e a aplicação de cama de aviário.

Poeira e mau cheiro podem ter origens diferentes

Outros moradores destacaram que Boa Esperança do Norte está cercada por áreas de produção agrícola e que diferentes atividades podem provocar impactos no perímetro urbano em determinadas épocas do ano.

Um dos comentários citou a preparação do solo e o funcionamento de secadores de grãos como possíveis fontes de poeira. O morador defendeu que o debate também considere medidas para reduzir impactos provocados por diferentes empresas e atividades agrícolas instaladas no entorno da cidade.

Dessa forma, não é possível afirmar que a poeira registrada no vídeo e o mau cheiro denunciado pelos moradores tenham a mesma origem. Até o momento, a reportagem não teve acesso a laudo técnico que identifique a origem da poeira ou do odor.

Câmara aprovou regras para uso de cama de aviário

As reclamações sobre o mau cheiro também chegaram à Câmara Municipal. Em 17 de agosto, os vereadores aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei nº 046/2026.

A proposta estabelece medidas de prevenção e controle ambiental e sanitário para o armazenamento, depósito e aplicação de cama de aviário, estercos, dejetos animais e outros materiais capazes de produzir odores.

O projeto também prevê uma faixa de proteção no entorno do perímetro urbano, além de regras de fiscalização e sanções administrativas em caso de descumprimento.

De acordo com informações obtidas pela reportagem sobre o texto aprovado, as regras alcançam propriedades localizadas em uma faixa de até 1,5 quilômetro do limite da área urbana. A proposta também estabelece exigências para o manejo e a estabilização desses materiais antes da aplicação.

Os detalhes desse dispositivo devem ser conferidos no texto final encaminhado pela Câmara ao Executivo.

O projeto tem autoria conjunta dos vereadores Izaqueu de Andrade, André Fenske, Professora Daniely Peters, Professora Joana Darc de Azevedo, José Marcos Pereira e Sidney da Piratininga.

Projeto aprovado ainda gera cobrança ao prefeito

Duas semanas após a aprovação pela Câmara, o Jornal da Boa Esperança ainda não obteve confirmação do Executivo sobre a sanção ou eventual veto ao Projeto de Lei nº 046/2026.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara Municipal, o prefeito tem prazo de até 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto. Caso não haja manifestação dentro desse período, a proposta retorna à Câmara para os procedimentos previstos na legislação.

Nesta segunda-feira (31), a reportagem procurou o prefeito Calebe Francio para saber qual é a situação da proposta e se existe previsão para uma decisão.

O prefeito também foi questionado sobre a afirmação de moradores de que uma das propriedades onde estaria sendo aplicada cama de aviário teria ligação com sua família.

A reportagem perguntou ainda se existe alguma relação entre essa circunstância e o fato de o projeto ainda não ter recebido um desfecho informado pelo Executivo.

Calebe Francio não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.

Secretaria de Meio Ambiente também foi procurada

O Jornal da Boa Esperança também procurou a Secretaria Municipal responsável pelo Meio Ambiente.

A reportagem perguntou se houve fiscalização nas propriedades apontadas pelos moradores, se existem denúncias formais sobre o problema e se a Prefeitura verificou as condições de armazenamento e aplicação da cama de aviário nas áreas próximas à cidade.

Também foram solicitadas informações sobre eventual risco ambiental ou sanitário relacionado ao manejo desses resíduos.

O secretário de Meio Ambiente não respondeu até o fechamento desta reportagem.

O Jornal da Boa Esperança mantém o espaço aberto para manifestação de todas as pessoas, autoridades, proprietários rurais, empresas e demais envolvidos citados nesta reportagem, inclusive para esclarecimentos, contestações ou apresentação de documentos e informações que contribuam para a apuração dos fatos.

Caso alguma manifestação seja encaminhada após a publicação, a reportagem poderá ser atualizada para incluir os esclarecimentos apresentados.

Veja as perguntas enviadas ao prefeito

As perguntas abaixo foram direcionadas para o prefeito Calebe Francio que até o momento não respondeu a nossa reportagem:

  1. Qual é a situação atual do projeto aprovado pela Câmara (Projeto de Lei nº 046/2026) que estabelece regras e multas para o manejo indiscriminado de esterco não estabilizado próximo à área urbana? Por que ele ainda não foi sancionado?
  2. Moradores afirmam que uma das propriedades onde estaria sendo aplicada cama de frango pertence à sua família. O senhor confirma essa informação? Existe alguma relação entre esse fato e a demora na sanção da lei?
  3. Diante das reclamações de mau cheiro e dos relatos de moradores, quais medidas a Prefeitura pretende adotar para fiscalizar as propriedades próximas à cidade e reduzir o problema? Há prazo para alguma ação?

Até o fechamento desta reportagem, o prefeito não havia respondido.

Perguntas enviadas ao secretário de Meio Ambiente

A reportagem também encaminhou ao secretário municipal de Meio Ambiente, Cassiano, os seguintes questionamentos:

  1. A Secretaria realizou fiscalização nas propriedades apontadas pelos moradores como origem do mau cheiro? Em caso positivo, o que foi constatado e existem relatórios, notificações ou autos de infração?
  2. A cama de aviário aplicada nessas propriedades passou pelo processo de estabilização ou tratamento recomendado antes do uso? Que critérios técnicos a Secretaria utiliza para verificar isso?
  3. A Secretaria identificou algum risco ambiental ou sanitário relacionado ao armazenamento ou à aplicação desse material próximo à área urbana? Quais providências serão tomadas e em qual prazo?

O secretário também não havia respondido até o fechamento desta reportagem.

Canal do Whatsapp do Jornal da Boa Esperança

Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

Canal do Whatsapp do Jornal da Boa Esperança
Campeões do Festival de Pesca recebem Hilux de R$ 285 mil
Notícia anterior

Campeões do Festival de Pesca recebem Hilux de R$ 285 mil