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A crônica do que não cheira bem...
Imagem: Reprodução

A crônica do que não cheira bem…

18/08/2026

Boa Esperança do Norte – O cenário era uma escola. Os alunos, como normalmente acontece, estavam inquietos. Era troca de professor.

Estávamos no Ensino Fundamental, na época chamado de 1º Grau.

O cronista, que nem sonhava em ser cronista, só observava a “converseira”. O fundão, para consagrar sua fama histórica, era a representação cristã do inferno na Terra.

De repente, surgiu a professora de Artes.

Jairinho, repetente e maior animador da turma, tratou de chamar a atenção. Tinha até música “oficial” para receber sua declarada paixão:

“Professorinha, sorinha, meu amorrr…”

Se eu disser que Jairinho, aos 12 anos, era apaixonado pela professora… vocês acreditam?

Mas voltemos àquele dia.

Na troca de professores, o fundão resolveu participar da história.

Alguém soltou alguma coisa lá de trás.

“Só pode ser coisa do fundão”, pensou todo mundo – incluindo o próprio fundão.

Nunca descobrimos quem foi. Ou talvez soubéssemos e, depois de tantos anos, o pacto de silêncio continue valendo.

Todo mundo riu. Estava difícil sobreviver ao pum que algum desconhecido havia soltado.

O cheiro passou.

O riso, não.

Sobreviveu por mais de três décadas.

Corta.

Boa Esperança, 2026.

De repente, a cidade mais jovem do Brasil vira palco. E a cena é tomada novamente por um odor.

Só que, desta vez, ninguém está rindo.

De tanto incomodar os moradores, o mau cheiro chegou à Câmara de Vereadores.

E ninguém vai dizer que foi um pum que alguém soltou e saiu de fininho.

O problema, segundo as reclamações, vem de uma área onde há cama de frango – material orgânico formado por fezes de aves, restos de ração e material vegetal usado como leito nas granjas.

O povo já sabe – ou prefere dizer que desconfia – de onde.

A coisa incomodou tanto que virou assunto do Legislativo.

Virou projeto.

Virou discussão.

E os vereadores praticamente decretaram:

“Não aguentamos mais esse cheiro ruim. Que o senhor prefeito tome as devidas providências!”

Na escola, nunca descobrimos oficialmente o responsável.

Em Boa Esperança, a história é outra.

Porque há coisas que passam. Há coisas que o tempo transforma em piada.

E há coisas que, quando não cheiram bem por tempo demais, deixam de ser brincadeira.

Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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