Boa Esperança do Norte (MT), 22/02/2026, C
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A crônica da Boa Esperança e a defesa das mulheres
Imagem: Reprodução

A crônica da Boa Esperança e a defesa das mulheres

22/02/2026

Boa Esperança do Norte – Não é que nosso amigo correspondente resolveu começar o ano batendo pernas, em vez de bater asas? Pois é. Estamos falando do Passarinho.

Nosso mensageiro perdeu algumas fontes de informação neste início de ano — não se sabe se pelo cansaço ou porque muitos assumiram cargos na administração municipal. Faz parte. Primeiro vêm os limites físicos e intelectuais; depois, as necessidades de sobrevivência. Mas o senso crítico não pode tirar férias, por isso seguimos. E nós vamos adiante com a missão de levar informação e reflexão aos leitores da Boa Esperança.

Enquanto o cronista pensava alto e nisso, o amigo Passarinho estava numa fila imaginária de lotérica. Como não temos uma agência física na sede municipal, ele fazia sua “fezinha” na Mega-Sena pelo aplicativo da Caixa via celular, à sombra de uma árvore na praça. Sonhava com os mais de 100 milhões do prêmio máximo. Sonhar ainda é gratuito.

Depois de confirmar a aposta, ele abriu o coração:

— Fiz a fezinha pra ver se a gente ganha uma grana… mas tem uma coisa que anda pesando mais na consciência.

— O quê? — perguntei.

Ele respirou fundo:

— Essa explosão de casos de violência contra as mulheres na cidade.

O tom da conversa mudou. O amigo continuou:

— Não é só aqui. Você viu o caso do secretário municipal em Goiás que matou os próprios filhos porque a esposa não queria mais ficar com ele?

Fiquei sabendo. E o silêncio que se seguiu disse muito mais do que qualquer comentário.

Passarinho, atento como sempre, começou a listar os casos recentes registrados pela Polícia Militar em Boa Esperança envolvendo violência contra mulheres. Infelizmente, os episódios locais refletem um problema nacional. Não é fato isolado. É estrutura.

— Nossa sociedade se mostra histórica e profundamente machista — não deixei de dizer.

Passarinho me ouviu, mas parecia querer voar para longe. Talvez fugir dessa realidade que entristece e fere a história do município mais novo do Brasil. Só que fugir não resolve. O bom exemplo precisa começar aqui.

No nosso cenário de mundo — pequeno no mapa, grande em responsabilidade — toda pessoa deve ser respeitada, independentemente de gênero ou orientação. Violência não pode ser normalizada. Silêncio não pode ser regra.

Abaixo à violência contra as mulheres em Boa Esperança, em Mato Grosso e no mundo.

Porque esperança que é boa precisa ser prática.

Cronista da Boa Esperança

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Renato de Souza

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande, Renato de Souza é o jornalista responsável pelo Jornal da Boa Esperança (DRT: 50317/SP). Com ampla experiência em jornalismo digital, rádio e assessoria de comunicação, é também escritor e editor, autor de seis livros publicados de forma independente. Renato é pesquisador em Literatura, com interesse especial pelas crônicas de Plínio Marcos, e atua como produtor cultural e professor, dedicando-se à promoção da escrita criativa e do diálogo entre literatura e sociedade.

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