Boa Esperança do Norte – Primeiro, encontrei nosso amigo mensageiro limpando as patas. Confesso que cocei os olhos para ter certeza do que via. Afinal, morar na sede municipal, longe do asfalto que parece nunca chegar, não é tarefa fácil.
Ele repetiu, animado:
– “Olha a Crônica de Carnaval do Passarinho, aí, geeente!”
Qualquer semelhança com grito de sambista famoso é coincidência. No entanto, o nosso formador de opiniões anda diferente neste Carnaval: mais emotivo… e tomando todas.
Sim, leitor, ele anda enchendo o copo. Principalmente quando o amor resolve dar férias.
Enquanto eu ajeitava o carvão na churrasqueira, perguntei:
– “Mas afinal, não deu certo o relacionamento com a advogada?”
Passarinho, que em público bate asas, mas na intimidade é gente como a gente, respondeu:
– “Meu amigo… amar é um caso sério.”
E caiu na gargalhada. Eu ri junto.
Para ele, o Carnaval funciona quase como refúgio. Porém, crítica é crítica. E ele não perde o costume.
De repente, veio a pergunta:
– “Cadê o carnaval promovido pelo Departamento de Cultura?”
Não ficou claro se ele falava sério ou ironizava. Em Boa Esperança, às vezes, a linha entre realidade e piada é fina.
Nosso município, jovem e cheio de histórias, ainda busca fortalecer tradições. Enquanto isso, o Passarinho segue cobrando.
Logo depois, ele encostou a asa no meu ombro e relembrou a primeira sessão legislativa ordinária do ano. Segundo ele, uma figura conhecida apareceu e desapareceu quase num passe de mágica.
– “O que foi aquilo, hem!?”
Rimos como quem divide segredo. Quem esteve lá viu. Quem leu nossa crônica anterior também entendeu.
– “Que vergonha alheia!”, completou ele, sem dó.
A esta altura, o leitor já percebeu: o Carnaval do Passarinho é quase uma metáfora. Ele pode criticar a administração ou cobrar mais ações culturais. No entanto, talvez o que falte seja algo mais simples.
Falta o espírito de rua. Falta o encontro. Falta o riso solto. Porque, no fim das contas, Carnaval também é convivência.
Quando os espetos de picanha já estavam firmes na brasa, ele soltou mais uma:
– “Será que nossos leitores vão acreditar que este Passarinho aqui curte um bom churrasco?”
Entre uma bebida e outra, seguimos conversando. Misturamos crítica, ironia e amizade.
Assim é a boa e velha vida social em Boa Esperança. Porque, no fim, o Carnaval do Passarinho pode até parecer exagero. Porém, a crônica… essa é real demais.
Cronista da Boa Esperança

