Boa Esperança do Norte – Como que de súbito, este cronista se sentiu envolvido com o que ocorreu na última reunião legislativa. Foi a primeira sessão ordinária de 2026, marcada por presenças, ausências e aparições.
A esta altura, o filme dessa sessão já passou. Mas, como todo bom contador de histórias, o cronista faz questão de recontar à sua maneira. E nessa versão, surge uma figura que parece saída direto de um antigo desenho animado. Aquele tipo de personagem que aparece de repente e some logo em seguida. Talvez os leitores mais experientes e atentos ao que escrevemos já tenham desconfiado de quem se trata.
Vamos refrescar a memória. No desenho, o personagem usa uma túnica longa, branca ou de tom claro, e cobre a cabeça com um capuz. Tem ar de feiticeiro ou de sábio eremita. Só que, nesse caso, o nosso personagem não parece nem uma coisa, nem outra. Ou será que é um eremita? Mas eremita, por definição, é quem vive isolado do convívio social. Não combina com alguém eleito pelo povo e que pelo menos há um ano ocupa cargo de autoridade em Boa Esperança, não é mesmo?
Passarinho, meu companheiro de crônica, dessa vez nem parecia estar ao lado em plena sessão legislativa. Talvez porque o tal personagem quase nunca esteja presente também. E quando tenta parecer que está, logo some, como aquele mestre enigmático de desenhos animados que falava em enigmas e deixava os heróis na dúvida.
O dilema aqui é curioso. A sessão do dia 9 de fevereiro foi cheia de pautas. E as autoridades compareceram, cada uma se expondo à sua maneira — algumas até demais. Vejamos dois exemplos. O primeiro, agindo como se a cidade fosse um problema técnico a ser resolvido com métodos, planilhas e visitas a amigos lotados em Cuiabá, ignorando que administrar é também lidar com a complexidade da vida humana. O segundo, preferiu repetir o óbvio, aproveitando que o óbvio nem sempre é notado por todos: que a cidade não começou em 1º de janeiro de 2025. Uma fala que, claramente, mandava um recado ao nosso personagem da túnica imaginária.
Quem acompanhou a sessão de corpo presente ou pelo canal do Jornal da Boa Esperança no YouTube, em uma segunda-feira chuvosa, pôde testemunhar: apareceu alguém muito conhecido — e pouco encontrado. Isso mesmo. O sujeito surgiu no plenário, discursou e, sem cerimônia, sumiu. Motivo? Não particular, segundo ele. Mas o efeito foi simbólico: como se nada ali realmente lhe importasse.
O Cronista da Boa Esperança não vai dizer nomes. Mas quem conhece a cidade e viu a cena pode arriscar um palpite. A figura que apareceu e desapareceu neste início de ano legislativo lembrou, e muito, o famoso Mestre dos Magos, da Caverna do Dragão. Só que sem o papel de guia, sem liderança e sem mistério — apenas a velha estratégia de estar sem estar.
Como diria o cronista: pode isso, Boa Esperança?
Cronista da Boa Esperança

